Sábado, 19 de Setembro de 2015

Acetil-L-carnitina

Dose diária: 400 mg

Se está estressado ou com falta de energia mental, este suplemento é exactamente o que o médico receitou. A carnitina é um aminoácido, um elemento constituinte das proteínas, produzido naturalmente pelo organismo e que se encontra nos alimentos. Acetil-L-carnitina é uma forma quimicamente activa deste aminoácido, que é vendida como suplemento. A carnitina é muito segura − está mesmo presente no leite materno e é adicionada à fórmula infantil, por ser tão essencial para o normal desenvolvimento físico e mental. Os adultos precisam de carnitina, tanto quanto as crianças, mas os níveis de carnitina diminuem com a idade. 

A carnitina é importante para o funcionamento óptimo do cérebro, por diversas razões. Em primeiro lugar, a carnitina é prontamente convertida em acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para a aprendizagem e concentração. Se tiver falta de acetilcolina, não será capaz de funcionar a um nível mental mínimo, muito menos no pico máximo. Em segundo lugar, a carnitina é um energizante neuronal, essencial para a produção de energia pelas mitocôndrias, a “fábrica” da célula. A carnitina transporta os ácidos gordos através da membrana mitocondrial, onde são transformados em energia. A carnitina também ajuda a remover os resíduos resultantes da produção de energia criada pela mitocôndria, permitindo-lhes ser eliminados do corpo. Esta é uma tarefa muito importante, pois se as toxinas não forem removidas da mitocôndria, podem danificá-la, o que vai abrandar a produção de energia ainda mais. Sem energia suficiente, as células do cérebro não conseguem produzir neurotransmissores suficientes (como a acetilcolina) ou comunicar de forma rápida ou eficaz umas com as outras. Sem energia suficiente, o cérebro não consegue produzir bastantes antioxidantes para o proteger contra os danos dos radicais livres, e o desempenho mental sofrerá inevitavelmente. À medida que cada vez mais células do cérebro são destruídas pelos radicais livres, terá mais dificuldades de concentração, o tempo de resposta ficará mais lento, e vai achar-se a perder um tempo precioso à procura dos óculos e das chaves do carro.

Se tiver pouca carnitina, também vai ficar mais vulnerável aos efeitos tóxicos do estresse. A exposição crónica ao cortisol, uma hormona produzida pelas glândulas supra-renais durante períodos de estresse, pode lesar as células cerebrais no hipocampo, o centro de memória do cérebro; esta é uma causa comum de perda da memória de curto prazo. Quando somos jovens, estamos protegidos contra o excesso de produção de cortisol. Quando as glândulas supra-renais entram em hiperactividade, receptores especiais de cortisol no cérebro alertam que está na hora de desligar a produção de cortisol. À medida que envelhecemos, isto é, quando os radicais livres começam a danificar as células saudáveis, esses receptores ficam entorpecidos e não respondem tão rapidamente ou tão bem. Por consequência, o cérebro fica exposto a níveis mais altos de cortisol durante longos períodos de tempo. A suplementação com acetil-L-carnitina pode ajudar a restaurar os receptores de cortisol no cérebro que ajudam a proteger contra os efeitos tóxicos do estresse.

A carnitina é uma das poucas substâncias que podem ajudar a diminuir a progressão da doença de Alzheimer. As pessoas com doença de Alzheimer têm níveis surpreendentemente baixos de carnitina. Num estudo recente, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, descobriram uma redução drástica na taxa de declínio mental em pacientes mais jovens com doença de Alzheimer que estavam a tomar suplementos de acetil-L-carnitina, durante o período de avaliação de um ano. Outros estudos descobriram que a acetil-L-carnitina pode ajudar a melhorar o humor entre os pacientes de Alzheimer. Muitos investigadores acreditam que a diminuição da carnitina em função da idade pode ser um factor causal no início da doença de Alzheimer, o que sugere que a suplementação com este aminoácido essencial na meia idade, quando os níveis começam a diminuir, pode ajudar a prevenir esta doença degenerativa do cérebro, na sua origem.

De:  “The Better Brain Book” − David Perlmutter (Riverhead Books, 2004)

  

publicado por Rui Vaz às 15:15
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