Quarta-feira, 15 de Julho de 2015

Fagos − a arma inteligente contra as bactérias resistentes aos medicamentos

Recentemente, um hospital de Los Angeles informou que mais de 100 dos seus pacientes tinham sido expostos à bactéria CRE (enterobactérias resistentes ao Carbapenem), uma “superbactéria” mortal que é insensível a quase todos os antibióticos. Sabe-se que sete pacientes foram infectados com CRE, aparentemente durante um procedimento endoscópico de baixo risco.

Este incidente chama a atenção para uma das maiores preocupações actuais da comunidade médica: como lidar com o problema crescente das bactérias resistentes aos antibióticos. Os especialistas temem que estejamos a entrar novamente numa era pré-antibiótica, à medida que estas superbactérias impermeáveis aos antibióticos emergem.

Muitos procedimentos de rotina, realizados em hospitais, clínicas, consultórios ou unidades de cuidados médicos, tinham-se tornado seguros devido ao uso dos antibióticos. Mas com estas estirpes resistentes de bactérias cada vez mais predominantes, as nossas defesas têm-se esbatido. 

A solução para estas superbactérias resistentes aos antibióticos está facilmente disponível − na Europa de Leste e na Rússia −, mas ainda não nos EUA, e talvez nunca chegue aqui. Considere o Centro de Fagoterapia em Tbilisi, Geórgia. Em 10 anos de funcionamento, a taxa de sucesso contra infecções bacterianas resistentes aos antibióticos ultrapassa 95 por cento.

Foi este Centro de Fagoterapia que tratou a americana Laura Roberts, quando a Clínica Mayo lhe disse que não podiam fazer nada por ela. Durante sete anos, foi vítima de três estirpes de MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina), mas no Centro de Fagoterapia curou-se em três semanas e está agora livre de MRSA, desde há 10 anos.

Qual é a arma secreta do Centro? Os fagos. Um fago é um vírus comum que não nos causa nenhum dano, mas quando entra em contacto com estas bactérias resistentes aos antibióticos, o fago liga-se à parede celular da bactéria, penetra dentro dela e sequestra o DNA. Em seguida, replica-se rapidamente dentro da bactéria, fazendo-a rebentar.

Na fagoterapia (ou terapia fágica), os médicos identificam a estirpe de bactérias agressoras e emparelham-na com um fago que vai matar essa estirpe. Prepara-se uma mistura vírica que é bebida, aplicada topicamente ou injectada.

Vantagens da fagoterapia:

  • Os fagos ocorrem naturalmente no solo, na água, no nosso corpo, e em qualquer parte onde as bactérias se desenvolvem
  • Fazer corresponder um fago à bactéria-alvo é relativamente fácil
  • Os fagos só matam as bactérias “más”, enquanto os antibióticos eliminam o bom e o mau
  • A fagoterapia funciona rapidamente, sem efeitos secundários nocivos
  • A fagoterapia é relativamente barata

A fagoterapia parece ser a resposta óbvia para um grave e crescente problema médico, mas não espere a sua aprovação nos EUA. Há vários anos que as universidades norte-americanas têm estudado a fagoterapia, mas três barreiras principais parecem difultar a aprovação pela FDA (Food and Drug Administration): burocracia, economia e orgulho intelectual.

A fagoterapia é dinâmica e novas preparações são criadas constantemente para se combinarem com as superbactérias mais recentes. Mas estas superbactérias mudam tão rapidamente, que seria impossível obter a aprovação da FDA para cada preparação administrada, em conformidade com os métodos actuais da FDA.

Além disso, como os fagos ocorrem naturalmente, eles não podem ser patenteados. Portanto, as empresas farmacêuticas não vêem a fagoterapia como financeiramente rentável. Sim, o dinheiro triunfa sobre a nossa saúde e bem-estar.

Finalmente, a maior parte da pesquisa, ensaios e prática clínica com os fagos ocorreu em países ex-comunistas, o que nos leva a desconfiar das suas metodologias de investigação.

Será a fagoterapia autorizada a vir em nosso auxílio? Ninguém sabe. Enquanto isso, se está a lutar contra uma infecção bacteriana resistente aos antibióticos, talvez queira reservar um vôo para Tbilisi, na Geórgia.

http://undergroundhealthreporter.com/phages-the-smart-weapon-against-drug-resistant-bacteria/

 

publicado por Rui Vaz às 16:34
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